EUA: Produção de leite aumenta, gordura atinge recorde histórico de 4,32% e demanda por proteína dispara

EUA: Produção de leite aumenta, gordura atinge recorde histórico de 4,32% e demanda por proteína dispara

25 de outubro, 2026

A pecuária leiteira dos EUA continua em alta. Em setembro de 2026, a produção de leite atingiu 18,7 bilhões de libras nos 24 principais estados produtores. Isto representa um aumento de 2,7% em relação a setembro de 2025, segundo o mais recente relatório do USDA.

A história do crescimento não se resume a ter mais vacas. Trata-se de vacas mais produtivas em um rebanho maior, o que gera um efeito cumulativo que está remodelando a oferta de lácteos nos Estados Unidos.

O motor duplo do crescimento

O aumento da produção em setembro teve duas fontes: o rebanho leiteiro americano cresceu para 9,30 milhões de cabeças (nos 24 estados principais), com 162.000 vacas a mais que em setembro de 2025. Ao mesmo tempo, a produção média por vaca foi de 2.012 libras no mês, 18 libras acima do ano anterior.

"Estamos vendo um crescimento histórico nos componentes do leite", afirmou Corey Geiger, vice-presidente sênior de estratégia e desenvolvimento de negócios da CoBank. "Isso é positivo. Estamos atendendo ao que os processadores querem."

No trimestre de julho a setembro, a história foi semelhante: a produção total de leite dos EUA atingiu 59,5 bilhões de libras, alta de 2,3% em relação ao mesmo trimestre de 2025. O rebanho leiteiro nacional teve média de 9,72 milhões de cabeças no trimestre, 172.000 a mais que no ano anterior.

Desempenho por estado

O Kansas liderou o crescimento percentual entre os estados, com a produção de setembro subindo 14,7% para 492 milhões de libras O estado acrescentou 29.000 vacas ao rebanho e também melhorou a produtividade por animal.

Outros destaques positivos incluíram:

  • Dakota do Sul: alta de 7,9%, para 494 milhões de libras
  • Geórgia: alta de 7,1%, para 180 milhões de libras
  • Indiana: alta de 7,4%, para 404 milhões de libras
  • Oregon: alta de 6,6%, para 226 milhões de libras

A Califórnia, maior estado produtor de leite do país, ficou praticamente estável, com 3,29 bilhões de libras, um aumento insignificante de 0,03%, apesar de ter acrescentado 5.000 vacas e chegado a 1,718 milhão de cabeças.

O Arizona foi o único grande estado com queda na produção, de 4,9%, para 350 milhões de libras, à medida que seu rebanho encolheu em 10.000 cabeças.

A história dos componentes: gordura recorde e proteína em forte alta

Por trás dos números de produção está uma transformação ainda mais significativa na qualidade e composição do leite.

"Desde que os dados começaram a ser coletados em 1924, nunca tivemos tanta gordura no nosso leite", disse Geiger ao público em Orlando. O teor de gordura do leite nos EUA subiu de 3,71% em 2011 para o recorde histórico de 4,32% atualmente.

O teor de proteína seguiu trajetória semelhante, passando de 3,08% em 2011 para 3,34% atualmente, um aumento de 23% em 15 anos, contra um crescimento de apenas 18,4% no volume total de leite.

"O movimento está ganhando força agora", explicou Geiger, ao mostrar dados sobre os níveis de componentes medidos a cada dois anos. "A gordura desacelerou um pouco porque, neste ano, o preço médio até setembro é de US$ 1,69 por libra, enquanto no ano passado era de US$ 2,45."

Já a proteína vive um momento importante, impulsionada por mudanças estruturais, como as tendências de clean label, o aumento da demanda por proteína provocado pelos medicamentos para perda de peso à base de GLP-1 e o foco do movimento MAHA (Make America Healthy Again) em alimentos integrais.

"As proteínas presentes em nossos produtos lácteos são as mais completas já conhecidas pela humanidade", enfatizou Geiger. "Todos os aminoácidos essenciais que o corpo humano precisa para o crescimento muscular estão nas proteínas do leite."

O volante genético

A rápida melhoria nos componentes do leite não se deve principalmente a mudanças no manejo. Trata-se de um impulso genético que deve continuar independentemente de sinais de preço de curto prazo.

"72% da melhoria na proteína do leite nos EUA nos últimos 10 anos veio da genética", observou Geiger. "No caso da gordura, esse percentual é de 62%, o que significa que ainda há mais ferramentas disponíveis para melhorar a gordura."

Contexto global: liderança em gordura, atraso em proteína

A comparação dos EUA com outros grandes exportadores de lácteos revela pontos fortes e desafios.

O teor de gordura do leite dos EUA (4,32%) já supera o da União Europeia (4,25%) e se aproxima dos rebanhos mestiços Holandês-Jersey da Nova Zelândia, cuja média é de 5,0% de gordura.

"O suprimento de gordura dos EUA tem crescido substancialmente", disse Geiger. "Estamos aumentando a gordura em um ritmo mais rápido que a UE", que é 1,6 vez maior que a indústria leiteira dos EUA e exporta 20% de sua produção.

Já em proteína, os EUA (3,34%) ainda estão atrás da UE (3,95%) e da Nova Zelândia (mais de 4,0%).

"Ainda não alcançamos a UE em proteína, e isso é um problema", alertou Geiger. "Se 49% dos nossos sólidos do leite vão para o queijo, e acredito firmemente, depois de analisar isso, que não atualizamos nossas fórmulas de rendimento para queijo e outros produtos, então em 2010, 100 libras de leite produziam 10 libras de queijo. Hoje estamos em 11,6 libras"

O desafio dos queijeiroa

Para a indústria de queijos dos EUA, a maior do mundo, a relação proteína/gordura tornou-se uma questão crítica.

Idealmente, os queijeiros querem uma relação proteína/gordura acima de 0,8. Os EUA estavam em 0,83 em 2015, mas vêm caindo, porque o crescimento da gordura supera o da proteína. Já a UE mantém uma relação estável entre 0,83 e 0,84.

"Então, o que isso significa para um queijeiro americano? Vocês terão que instalar um separador", explicou Geiger. "Os queijos mozzarella e os de estilo italiano fazem isso há anos, mas agora nossos queijeiros de estilo americano, como cheddar, Colby e Monterey Jack, precisam padronizar o leite, senão o teor de gordura na base seca fica alto demais, e isso não é bom para os varejistas."

Exportações: o destaque positivo

Enquanto os desafios de componentes no mercado interno criam dores de cabeça para o processamento, as exportações de lácteos dos EUA seguem batendo recordes.

"Estamos no ritmo de US$ 10,5 bilhões neste ano, um recorde de 1 bilhão de dólares a mais", disse Gregg Doud, CEO da NMPF.

Krista Harden, presidente e CEO do U.S. Dairy Export Council, afirmou, durante sua gestão: "As exportações de lácteos dos EUA atingiram alturas inéditas, quebrando recordes por três anos consecutivos, em 2022, 2023 e 2024."

O relatório de produção de setembro reforça esse embalo exportador: com o consumo per capita doméstico relativamente estável, o crescimento adicional de produção de 2,3% a 2,7% gera um excedente que precisa encontrar destino nos mercados internacionais.

As mudanças mensais no rebanho em setembro mostraram um crescimento modesto, mas consistente:

  • O total dos 24 estados acrescentou 24.000 cabeças de agosto para setembro de 2026.
  • Na comparação anual, o rebanho de setembro foi 162.000 cabeças maior.
  • Wisconsin liderou em números absolutos, com 1,306 milhão de vacas, 26.000 a mais que em setembro de 2025.
  • O rebanho de 1,718 milhão de cabeças da Califórnia continuou sendo o maior entre os estados, com alta de 5.000 em relação ao ano anterior.

Os estados produtores menores apresentaram resultados mistos. Alguns, como Kansas (+29.000 cabeças) e Indiana (+11.000 cabeças), tiveram forte expansão, enquanto outros, como Arizona (-10.000 cabeças) e Utah (-3.000 cabeças), registraram retração.

O que isso significa para o futuro da indústria de lácteos

O relatório de produção de leite de setembro retrata uma indústria em transformação:

  • Curto prazo: o crescimento contínuo da produção, de 2% a 3% ao ano, cria oportunidades e desafios. Os mercados de exportação precisarão absorver volumes crescentes, enquanto os processadores domésticos lidam com desequilíbrios nos componentes.
  • Médio prazo: o déficit de proteína em relação à gordura exigirá mudanças significativas nas prioridades de melhoramento genético (que levam anos para serem implementadas) ou investimentos contínuos em equipamentos de padronização do leite por parte dos processadores.
  • Longo prazo: a genética garante que os níveis de componentes continuem subindo. A questão não é se o leite ficará mais rico em proteína e gordura, mas se a indústria conseguirá desenvolver mercados e produtos que aproveitem essa abundância.

"Temos uma abundância de gordura", disse Geiger. "Vamos continuar nessa situação por muito tempo, e teremos que encontrar novos destinos para esse produto."

Matt McClellan, CEO da Prairie Farms Dairy, afirmou: "Se vamos ordenhar mais vacas, precisamos de mercado. E a proteína vai impulsionar grande parte desse mercado, especialmente nos próximos 10 anos."

Os números de setembro indicam que os produtores de leite dos EUA estão prontos para abastecer esse mercado. Agora, a indústria precisa garantir que a demanda acompanhe o ritmo.

 

Fonte: Dairy Herd Management

Disponível em: https://www.dairyherd.com/news/u-s-milk-production-2-7-september-2026-butterfat-hits-historic-4-32-protein-demand-surges

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