O poder de compra do leite em 2025
07 de junho, 2026
O poder de compra do leite é um indicador que expressa a quantidade de litros necessária para aquisição de insumos utilizados na atividade leiteira em determinado período. Resulta da divisão do preço do insumo pelo valor recebido pelo produtor por litro de leite. Quanto maior o número de litros necessários pior a relação de troca para o produtor.
Para a realização dessa análise foi considerada a série histórica de preços ao produtor para o estado de Minas Gerais, tendo como fonte o Cepea/Esalq-USP, disponível em https://www.cepea.org.br/br/indicador/leite.aspx. Os dados de preços de insumos foram coletados mensalmente no varejo do Estado de Minas Gerais, obtidos pelo Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite. A escolha deste estado deve-se à sua representatividade no setor.
O Índice de Preço Recebido pelo Produtor (IPR-MG) apresentou trajetória decrescente ao longo do período analisado, iniciando em maio e encerrando dezembro de 2025 em 61 pontos. Portanto, na comparação com dezembro de 2024, o preço recebido acumulou redução de 39% ao longo do ano.
Já o Índice de Custo de Produção (ICPLeite/Embrapa) se manteve com comportamento estável, resultando em redução gradual da margem do produtor ao longo de 2025. A análise da quantidade de litros de leite necessários para aquisição dos principais insumos confirma essa tendência e está apresentada na tabela 1.
Ao longo de 2025, consolidou-se um movimento de compressão financeira da atividade leiteira. No primeiro trimestre de 2025, observou-se ambiente favorável. Entretanto, a partir do segundo trimestre, a deterioração iniciou-se a partir de abril, intensificando-se no segundo semestre.
A análise do comportamento de preços dos insumos permite verificar quais contribuíram para a deterioração do poder de compra. O adubo 20:05:20 (50 kg) foi um dos insumos que mais pressionou. Em março, eram necessários 56,34 litros de leite para aquisição do produto. Em dezembro, essa exigência alcançou 97,96 litros, representando aumento de 77,5% ou quase 42 litros adicionais para adquirir o mesmo volume de fertilizante ao final do ano (tabela 1).
O concentrado mineral (30 kg) apresentou movimento semelhante. Em dezembro/2025, passou a exigir 74,45 litros de leite, valor cerca de 46% superior ao melhor momento da série recente (51,11 litros, também em março/2025).
PERDA DO PODER DE COMPRA DO LEITE DECORREU DA QUEDA DO PREÇO RECEBIDO
O glifosato (5 litros) também registrou deterioração relevante. Em dezembro/2025 eram necessários 76,33 litros de leite para sua aquisição, patamar 41% superior ao observado no melhor momento da série (53,97 litros). A elevação ao longo de 2025 evidencia a combinação entre queda do preço do leite e manutenção relativa do custo de produção.
Os insumos energéticos apresentaram comportamento menos volátil, mas também pressionadores. A energia elétrica rural manteve trajetória de alta gradual, acumulando elevação contínua na quantidade de litros de leite necessária ao longo do ano. Embora a variação percentual seja inferior àquela observada nos fertilizantes, o impacto amplia o efeito sobre a margem operacional.
O farelo de soja (50 kg) apresentou comportamento relativamente mais estável no início de 2025, mas também passou a exigir maior volume de leite para sua aquisição no segundo semestre. Ainda que a variação percentual tenha sido mais moderada quando comparada ao adubo e ao concentrado mineral, o efeito agregado sobre os custos alimentares é relevante, dado o peso desse insumo na dieta do rebanho.
De forma geral, observa-se que a perda de poder de compra do leite em 2025 decorreu principalmente da queda no preço recebido (próxima de 40%). A deterioração foi gradual, porém consistente, tornando-se mais evidente na comparação entre o primeiro e o último semestre do ano.
O período mais favorável concentrou-se no primeiro trimestre, quando o IPR ainda se encontrava em patamar mais elevado. Já o momento mais crítico ocorreu em novembro e dezembro/2025, quando diversos insumos registraram simultaneamente suas piores relações de troca da série.
O encerramento do ano de 2025 com o IPR em 61 pontos evidencia perda acumulada significativa no preço recebido pelo produtor. Em um contexto de custos que não recuaram na mesma intensidade, essa dinâmica reduz a margem financeira da atividade.
Em síntese, o ano de 2025 foi marcado por deterioração progressiva do poder de compra do leite. A queda expressiva do índice de preços recebidos, associada à estabilidade dos custos de produção, resultou em compressão das margens de lucro ao longo do ano.
A gestão eficiente dos custos, o ganho de produtividade e o planejamento financeiro permanecem determinantes para a manutenção de resultados positivos, especialmente em ambientes de maior volatilidade. O monitoramento sistemático da relação de troca permanece instrumento essencial para o planejamento produtivo e financeiro da atividade, especialmente em contextos de maior instabilidade de mercado.
Fonte: Anuário Leite 2026 (Embrapa Gado de Leite)







































