Leite ao produtor registra quarta alta consecutiva

Leite ao produtor registra quarta alta consecutiva

30 de maio, 2026

Pelo quarto mês consecutivo, o preço do leite pago ao produtor subiu em abril/26. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), alta foi de 10,4% frente a março, levando a “Média Brasil” para R$ 2,6584/litro. Em termos reiais, no entanto, o preço ainda está 7,1% abaixo do registrado em abril/25 (valores deflacionados pelo IPCA de abril/26).

O movimento de avanço segue sendo explicado pela redução da produção, devido à sazonalidade, e pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) registrou queda de 3,4% de março para abril na Média Brasil e, no acumulado do ano, a queda é de 14,6%. Além da sazonalidade, os menores investimentos dentro da porteira têm prejudicado a oferta pelos produtores. Segundo a pesquisa do CEPEA, em abril/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo (alta de 1,1% na “Média Brasil”) – acumulando aumento de 3,24% neste ano. A elevação esteve atrelada ao aumento das despesas com nutrição, sanidade e operações mecanizadas.

Com a continuidade da menor oferta de leite no campo e os estoques mais ajustados, os derivados lácteos seguiram em valorização no atacado paulista. Segundo o CEPEA, em abril, o preço do leite UHT subiu 20,17%, o da muçarela, 12,65% e o do leite em pó fracionado 1,52% (frente a março). Na primeira quinzena de maio, porém, o movimento demonstrou perder força e as negociações passaram a refletir uma demanda mais enfraquecida e um mercado mais cauteloso e sujeito às oscilações pontuais nas cotações.

No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos recuaram em 10% em abril, chegando a 218,38 milhões de litros Equivalente-Leite (EqL). Ainda assim, as compras externas estão 34,1% maiores em relação às do mesmo período do ano passado.

A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização no curto prazo, mas existem indicativos de perda de intensidade do movimento altista a partir de maio. Ainda que, sazonalmente, maio seja caracterizado pela subida dos preços do leite cru em virtude de restrição de oferta, a pressão vinda da ponta final da cadeia deve afetar esse comportamento típico das cotações.

 

Fonte: CEPEA – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada

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