ATENÇÃO PRODUTORES DE LEITE
Como teremos vários dias nublados pela frente, risco de INTOXICAÇÃO e MORTE de bovinos por nitrito/nitrato possível após uma estiagem ou vários dias sem sol, combinado com fatores abaixo. Se este é o caso, SUSPENDA O NITROGÊNIO e leia as recomendações que seguem.
QUEM CORRE MAIOR RISCO:
Animais com restrição alimentar ENTRANDO em dietas contendo forragens frescas (cortadas ou pastejadas) com alto teor de nitrogênio no solo rebrotadas logo após uma estiagem forte ou após 10 dias sem sol, mesmo que chovendo bem. Quanto maior a produção individual da vaca, maior o risco.
A estiagem prolongada, assim como a falta de luz solar, impedem a formação de proteínas vegetais a partir no nitrogênio absorvido pelas plantas, que se acumula como nitrato em excesso. Este acúmulo, sobretudo no milho safrinha, mas também em pastos, resulta em alta ingestão de nitratos nestes vegetais que são convertidos em nitritos no rúmen e absorvidos diretamente pela corrente sanguínea (o nitrito ocupa o lugar do oxigênio na hemoglobina e os animais morrem por falta de oxigênio).
O QUE FAZER (o que recomendamos):
- Suspender a aplicação de qualquer forma de N no solo até que se tenha condições de umidade no solo (caso de estiagem) ou sol por 3 dias (se for por falta deste).
- Animais que estão por entrar no tipo de forragem verde que não estavam acessando antes, saindo de outra dieta, fazer uma transição (adaptação do rúmen e da produção de hemácias) de 5-7 dias, começando com pouco consumo, poucas horas de exposição aos verdes acima.
- Aumentar a oferta de CNF (carboidrato não-fibroso, amido), especialmente através de mais milho moído na ração. É necessário ampla oferta de amido para que as bactérias metabolizem este excesso de nitrato e o transformem em proteína bacteriana e não em nitrito, que passa a parede ruminal e é absorvido pelo sangue.
- Nestes dias, dar preferência para predomínio de volumosos de baixo risco (volumosos estocados antes do problema e pastagens com baixo uso de N em cobertura).
AGRAVANTES:
- Solos e dietas deficientes em enxofre (S) e molibdênio (Mo).
EVITAR NESTES DIAS (se as condições acima estiverem presentes):
- Ração com monensina sódica. A seleção bacteriana feita por ela (desejável em qualquer outro momento), nas condições acima aumentará os riscos.
- Se os animais não estão adaptados, e estão entrando nos verdes citados, também evitar neste momento dietas ou rações com ureia. São mecanismos diferentes, mas a ureia concorrerá por energia livre no rúmen para ser metabolizada (ou seja, aumenta o risco de intoxicação por nitritos).
QUEM NÃO DEVE SE PREOCUPAR:
- Quem tem tido chuvas pelo menos a cada 15 dias, intercalada com sol.
- Quem já vem com os animais na dieta atual a mais de uma semana.
- Quem tem matéria orgânica no solo abaixo de 3% não utilizou mais que 30kg de N na base e em cobertura até o presente momento.
- Quem não sofreu estiagem nem falta prolongada de sol.
SINAIS TÍPICOS DA INTOXICAÇÃO AGUDA:
O mais característico são as mucosas cianóticas (roxeadas), especialmente focinho e vulva!!! O sangue adquire coloração de chocolate. Mas também:
- Sialorreia (saliva que flui para fora da boca – o animal “baba”).
- Ranger dos dentes.
- Cansaço.
- Taquipneia (grande aceleração do ritmo respiratório; respiração curta e acelerada), ou dispneia progressiva (dificuldade na respiração).
- Ataxia (movimentos descontrolados, andar cambaleante).
- Tremores musculares.
- Contração abdominal.
- Manifestações de baixo débito cardíaco (baixo volume de sangue bombeado por unidade de tempo).
- Sonolência.
- Decúbito lateral (deitado de lado). Relutância em se movimentar. Crise convulsiva.
- Abortos.
O QUE FAZER NESSES CASOS:
Pare de movimentar os animais, não oferte mais nada além de água potável e chame um médico veterinário imediatamente.
QUANDO ESTE RISCO TERÁ PASSADO:
- Ao voltarem as condições normais de crescimento da planta os riscos desaparecem em cerca de 5 dias.
TOMANDO OS CUIDADOS ACIMA, não há motivos para Preocupações.
Reiteramos que se chame um médico veterinário para diagnóstico correto, mas se tudo acima fechar e houver animais agonizando, não dá tempo. NESTES CASOS AGUDOS, com animais em decúbito (caídos de lado) e com as condições descritas presentes, é necessário recorrer ao tratamento abaixo:
TRATAMENTO EMERGENCIAL (para salvar):
Azul de metileno (solução aquosa a 1%), de 4-15 mg/kg de peso corporal pela via IV. Ou seja, injeção na veia (intravenosa). Fonte: “Diseases of dairy catle”, DIVERS e PEEK (2008, p. 642).
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Estas recomendações foram formuladas pela Transpondo, em consonância com a literatura científica internacional e com nossa experiência enfrentando este problema praticamente todos os anos, quando não por estiagem ou seca, por falta sol.
Escrito por Wagner Beskow, pesquisador, consultor
Disponível em: https://www.facebook.com/wagnerbeskow






































