Uruguai aumento exportação de lácteos e Brasil lidera compras

Uruguai aumento exportação de lácteos e Brasil lidera compras

14 de agosto, 2026

Em julho, as exportações de lácteos do Uruguai tiveram um dos melhores desempenhos da série histórica, mas o dado que mais interessa à pecuária brasileira está na composição desse resultado: O Brasil respondeu por 31,5% das compras externas uruguaias no mês.

O movimento veio acompanhado de um salto expressivo nos embarques. Foram 26,19 mil toneladas exportadas em julho, contra 18,97 mil toneladas no mesmo mês de 2025, com um crescimento de aproximadamente 38%.

Em dinheiro, o avanço também foi significativo. As vendas externas chegaram a US$ 98,3 milhões, 32% acima dos US$ 74,3 milhões registrados um ano antes. Foi o melhor resultado mensal de 2026 tanto em faturamento quanto em volume. Na série histórica iniciada em 2007 pelo Instituto Nacional de la Leche (Inale), julho de 2026 ficou como o quinto maior mês em valor exportado.

O Brasil aparece distante dos demais compradores

A posição brasileira ganha relevância quando os destinos são colocados lado a lado. Em julho, o Brasil importou quase 8 mil toneladas de produtos lácteos uruguaios. A Argélia, segunda colocada, comprou 4,6 mil toneladas.

Em participação nas exportações do mês, o Brasil ficou com 31,5%, enquanto a Argélia respondeu por 18,2%. Somados, os dois mercados representaram metade das vendas externas uruguaias de lácteos em julho. 

Na sequência apareceram Nigéria (7,6%); Venezuela (6,7%); e México (5,9%). Os demais integrantes dos dez principais destinos foram Mauritânia e Panamá, com 3% cada; Egito, com 2,8%; Emirados Árabes Unidos, com 2,6%; e Argentina, com 2,5%.

Leite em pó integral sustenta o acumulado

O desempenho de julho reforçou também a importância do leite em pó integral na pauta exportadora uruguaia. Entre janeiro e julho, o produto gerou US$ 366 milhões em exportações, alta de 11% sobre o mesmo período de 2025. O volume acumulado chegou a 99.709 toneladas, 21% acima do registrado até julho do ano passado.

Somando todos os produtos, as exportações de lácteos do Uruguai alcançaram US$ 539 milhões nos sete primeiros meses de 2026, crescimento de 6% na comparação anual. Os demais produtos apresentaram comportamentos distintos.

O leite em pó desnatado acumulou US$ 33 milhões, com alta de 4% em valor e queda de 1% em volume. Os queijos recuaram 1% em valor, para US$ 50 milhões, enquanto o volume caiu 3%. Já a manteiga chegou a US$ 42 milhões no acumulado, com alta de 1% em valor e aumento de 17% no volume.

Preços mostram movimentos diferentes

Os números de preço ajudam a entender que o crescimento das exportações não ocorreu de maneira uniforme entre os produtos. Em julho, o leite em pó integral alcançou preço médio de US$ 3.797 por tonelada, 26% acima do registrado em dezembro de 2025. Ainda assim, na comparação do acumulado do ano, o preço permanece 8% abaixo do observado em 2025.

No leite em pó desnatado, o preço médio ficou em US$ 3.478 por tonelada. Houve queda de 10% no mês, mas alta de 5% no acumulado do ano. Os queijos registraram US$ 5.149 por tonelada, praticamente estáveis. A manteiga ficou em US$ 5.386 por tonelada, 21% abaixo do valor de dezembro e com queda acumulada de 13% no ano.

O contraste entre volume, faturamento e preços deixa um retrato mais complexo do comércio uruguaio de lácteos: julho trouxe forte expansão dos embarques, enquanto os preços tiveram trajetórias diferentes conforme o produto.

E, nesse cenário, o mercado brasileiro ocupa uma posição central. Com quase 8 mil toneladas adquiridas em apenas um mês e participação de 31,5% nas exportações uruguaias de lácteos, o Brasil foi, com folga, o principal destino do produto uruguaio em julho.

 

Fonte: eDairyNews

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