Marcelo de Paula Xavier


Produtor Rural, Administrador de Empresas e Mestre em Agronegócios

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EUA: Jersey bate todos os recordes de produção mais uma vez

29 de abril, 2022

Escrito por Marcelo de Paula Xavier, M.Sc.*

 

A Associação Americana do Gado Jersey (AJCA) divulgou os números de produção da raça em 2021, nos EUA, e as marcas são novamente fantásticas1. Pelo segundo ano consecutivo, as médias atingiram recordes históricos. Mais importante, os teores de sólidos estão nos valores mais altos das últimas três décadas, provando que a vaca Jersey é a produtora de leite mais eficiente do mundo.

Ajustada para idade adulta2, com 98,971 lactações controladas, a produção oficial da raça Jersey nos EUA agora é de 9.217 kg de leite, 451 kg de gordura e 343 kg de proteína, em 305 dias. Isto se traduz em uma média de 30,2 kg de leite por dia, com 4,90% de gordura, 3,72% de proteína e com um rendimento de queijo cheddar de 1.1168 kg.

Em relação a 2020, todas as medidas padronizadas tiveram aumento:

  • +5.889 lactações controladas;
  • +116 libras de leite;
  • +15 libras de gordura;
  • +6 libras de proteína; e
  • +27 libras de rendimento queijo.

Com base nas estatísticas dos 10 anos anteriores, até 2025, a média de lactação da raça está projetada para atingir 9.449 kg de leite (31 kg/dia), 466 kg de gordura (4,93%) e 355 kg de proteína (3,76%).

Melhores rebanhos Jersey para produção de leite nos EUA

Para conhecer mais sobre alguns dos principais rebanhos americanos, a AJCA enviou um questionário às melhores fazendas no que tanque produção de leite e sólidos. Apresento abaixo alguns dos destaques.

A Den-Kel Jerseys, localizada na cidade de Byron (New York), é de propriedade Kip e Katie Keller. Eles ordenham cerca de 150 vacas e vendem o leite para Dairy Farmers of America, recebendo bônus por qualidade geral e teor de proteína.

As vacas são ordenhadas em uma sala de ordenha com duas espinhas de peixe de 7 postos cada e alojadas em um freestall com camas de areia. As vacas são soltas para pastejar por cerca de sete meses do ano.

Segundo Pat Brennan, da Holtz-Nelson Dairy Consultants, Den-Kel Jerseys é um rebanho de produção superior porque os Kellers cuidam dos detalhes. “Eles fazem as coisas de maneira simples e consistente, criando um rebanho de alta genética e cuidando excepcionalmente bem das bezerras e novilhas...Cada lactação é preparada com excelente manejo das vacas no período de transição, que inclui uma dieta aniônica e de baixa energia.”

Os Kellers trabalham com sua equipe de lavoura para produzir alimentação de alta qualidade para seu rebanho. Colhendo na hora certa, eles conseguem volumosos com altos níveis de proteína e energia, além de ótima digestibilidade das fibras.

O nutricionista da fazenda formula as dietas com silagem de milho, pré-secado de capim, milho moído, farelo de soja, minerais e vitaminas. Na rotina da operação, as vacas são alimentadas três vezes ao dia, de modo a suprir as suas necessidades diárias de ingestão.

Para eles, a vaca ideal deve ter força e capacidade leiteira, com peito largo para impulsionar o consumo de alimentos, pois isto é fundamental para as novilhas parirem bem. Além disso, a vaca ideal também deve ter pés e pernas corretas ​​e um úbere relativamente raso.

A D&D Jerseys é de propriedade de Donna Phillips e Dan Stock. Dan cuida do trabalho de campo e da alimentação dos animais, enquanto Donna faz a ordenha, os acasalamentos e o trabalho veterinário. Suas filhas gêmeas adolescentes, Erica e Emalee, também ajudam na operação.

A fazenda ordenha em torno de 85 vacas Jersey, em uma sala de ordenha com dupla espinha de peixe de quatro postos cada, e envia o leite para BelGioioso Cheese Inc, recebendo prêmios por gordura, proteína e baixa CCS.

As vacas são alojadas em um barracão de freestall com túnel de vento, o qual tem cortinas parciais no lado oeste e ventiladores no lado leste. As cortinas e os ventiladores são operados automaticamente para controlar a temperatura.

As vacas são divididas em três lotes: novilhas de primeira cria; vacas mais velhas; e vacas de alta produção. Para a alimentação dos animais é feita uma dieta total (TMR). A dieta em si é simples, contendo silagem de milho, pré-secado de capim, grãos de soja, farelo de soja, caroço de algodão e minerais.

A família está atenta a todos os detalhes da fazenda, por menores que sejam, porque somados eles contribuem para a lucratividade. As ferramentas mais importantes que eles usam para o manejo do rebanho são infoJersey.com e genotipagem.

Donna afirma ser um pouco perfeccionista, então a sua vaca ideal engloba tudo, desde o tipo até a produção de leite e sólidos. “A vaca ideal é um pacote completo. Eu me considero sortuda por ter ordenhado algumas vacas leiteiras excelentes de 30.000 libras, que estiveram próximas desse padrão.”

A família Maxwell, dona da Cinnamon Ridge Dairy Farm, ordenha cerca de 210 vacas Jersey e vende parte do leite para a Brewster Cheese em Stockton (Illinois), auferindo prêmios por sólidos e contagem de células somáticas.

Além disso, a fazenda usa parte do leite para fazer queijos Cheddar e Gouda, que são vendidos – junto com outros produtos caseiros – na sua própria loja (The Country Cupboard), online e em vários pontos de venda de Iowa e Illinois.

As vacas são ordenhadas com quatro robôs Lely e ficam alojadas em um freestall com camas de areia. O barracão foi construído em 2012, pensando no turismo rural, então ele tem janelas para ver os robôs e um mezanino para ver as vacas. "Fomentar a pecuária de leite é uma das principais ênfases do nosso negócio", destacam eles.

As vacas em lactação são alimentadas com uma dieta parcial (PMR) na pista de trato e concentrado na estação de ordenha robótica. A mistura PMR inclui milho moído, farelo de soja, amino plus, mix mineral, caroço de algodão, pré-secado de capim e silagem de milho.

Para eles, a vaca ideal tem alta produção e longevidade.

Localizada em Hastings (Michigan), a Sand Creek Dairy é de propriedade da família Haywood há mais de 115 anos. Hoje, o negócio está sendo operado pela quarta geração familiar, tem 330 vacas Jerseys em lactação e um rebanho total de 1.200 animais.

O rebanho é alojado em seis barracões de freestall, com camas de areia reciclada. Eles utilizam uma dieta total (TMR) baseada em forragens de alta qualidade, notadamente silagem de milho (BMR) e pré-secado de alfafa. As dietas são equilibradas com grão úmido de milho, milho moído, glúten, farelo de trigo, farelo de canola, grão de destilaria, farelo de soja e mineral. Todas as forragens são produzidas na própria fazenda, bem como os grãos de milho, para garantir a qualidade e a digestibilidade dos alimentos.

Trabalhando em colaboração com a extensão da Michigan State University, eles mantem o foco no gerenciamento do rebanho. Além da produção de leite e sólidos, eles monitoram continuamente o desempenho reprodutivo dos animais e o desempenho financeiro do negócio.

Os testes genômicos tem uma grande importância para eles. Todos os bezerros são genotipados ao nascimento, para identificação dos machos com potencial para IA e das fêmeas mais valiosas. Com base nessas informações, eles mantem um programa constante de FIV, que usa a metade inferior das novilhas e das vacas de primeira lactação como receptoras para os animais de maior valor genético.

As pessoas são outra chave para o sucesso da fazenda, que conta com uma equipe de gestão bastante diversificada. Eles trabalham em estreita colaboração com os seguintes profissionais: nutricionista, veterinário, consultor de bezerros, contador, consultor de lavouras, extensão da MSU e especialistas do setor.

No seu programa de criação, eles buscam fazer vacas como SANDCREEKS CRITIC CHIPSTER-P-ET, que tem lactações acima 12.000 kg (40 kg/dia), foi classificada EX-93 e tem vários descendentes na lista das 500 melhores fêmeas para GJPI. "Continuamos a tentar criar mais machos e fêmeas como Chipster-P, que resume nossos objetivos de alta produção, leite denso, tipo funcional e boa fertilidade", ressaltam eles.

Com instalações fantásticas, a Red Top Jerseys começou a ordenhar suas vacas em 2 de abril de 2007. A fazenda é de propriedade de Mike e Scott Wickstrom e Brad Nyman e administrada por Chris Terra.

A operação tem 5.700 vacas sendo ordenhadas, com a maioria delas três vezes por dia. No entanto, um lote de vacas recém paridas é ordenhado quatro vezes ao dia e alguns lotes de vacas prenhes são ordenhados somente duas vezes. Todo o leite é comercializado pela Hilmar Cheese, com incentivos por sua qualidade com base em CSS, contagem de pasteurização laboratorial e contagem bacteriana.

As vacas são ordenhadas em dois carrosséis de 72 postos cada e são alojadas em barracões de freestall, com pistas centrais de alimentação. Cada barracão tem 1.280 vacas divididas em quatro lotes, sendo que as camas são cobertas com estrume compostado e reciclado.

Eles usam uma dieta típica da costa oeste americana, composta de silagens de milho e trigo, feno de alfafa e uma combinação de grãos: milho, caroço de algodão, farelo de soja ou canola, entre outros. Se o preço e a disponibilidade permitirem, eles fornecem uma mistura de sais de cálcio e óleo de palma como fonte de gordura.

Para alimentação das vacas em lactação, atualmente, eles utilizam quatro dietas:

  • Cerca de 75% do rebanho recebe uma dieta de alta produção;
  • Três lotes de novilhas de primeira cria (cerca de 15% do rebanho) recebem um suplemento proteico adicional para atender às necessidades de crescimento;
  • Um lote de vacas maduras quase secando (cerca de 5% do rebanho) é alimentado com uma dieta de vaca prenhe;
  • Cerca de 5% do rebanho é alimentado com dieta de vaca recém parida, que visa aminoácidos e ácidos graxos ao mesmo tempo que promove a ingestão durante o período crítico de transição.

Vacas e novilhas recém paridas são ordenhadas quatro vezes ao dia e permanecem no lote pós-parto por 10 a 15 dias, em média. A porcentagem do rebanho alimentado com dieta de alta produção ou de vaca prenhe varia, dependendo da dinâmica do rebanho e das condições corporais.

Todas os fatores relacionados à produção são enfatizadas na fazenda e todos são monitoradas. Obviamente, os principais ​​são: reprodução, qualidade do leite e saúde do rebanho. “Se isso estiver em ordem, estamos posicionados para ordenhar vacas mais velhas. Por sua vez, isso aumenta a produção por lote e reduz o número de novilhas de reposição que precisam ser alimentadas e criadas. Isso impacta muito na lucratividade.”

Para eles, que tem uma grande operação comercial, a vaca ideal é aquele que não é notada. Ela nunca aparece em uma lista de baixa produção ou reprodução ruim e nunca está em tratamento. Fenotipicamente, ela é de tamanho moderado com equilíbrio de força e leite, tem pés e pernas saudáveis ​​e um bom úbere. Ela produz leite com alto teor de sólidos, reproduz facilmente e dura pelo menos quatro lactações.

Para conhecer melhor a Red Top Jersey, e outros grandes criatórios americanos, assista esse vídeo feito na Califórnia em 2018: 

PROGRAMA #24 - A RAÇA JERSEY NA CALIFÓRNIA/EUA (PARTE 1)

 

Notas:

1 – Nos seus relatórios anuais, a AJCA inclui médias de produção para os rebanhos americanos de Jersey, calculadas em uma lactação padronizada de 305 dias, com duas ordenhas por dia, tanto em base ajustada para idade adulta como em base real. Para serem incluídas nos cálculos, as vacas Jersey devem ser registradas e estar na Contagem de Gerações {4} ou superior. Por sua vez, os rebanhos computados nas medições devem ter no mínimo 10 vacas.

2 – O ajuste para idade adulta permite comparações justas entre a produção de vacas de uma mesma raça em diferentes ambientes e estágios de sua vida produtiva. O cálculo é composto de duas partes: a medida da produção real de leite em 305 dias – com base nas pesagens regulares do controle leiteiro oficial – e o fator de correção para “equivalente na idade adulta”. Nos Estados Unidos, este fator corrige os efeitos do número de lactações, idade no parto, estação do ano, dias abertos anteriores e região do país. A maioria das organizações que fazem o controle oficial americano usa o “Bestpred” para calcular as produções ajustadas e real em 305 dias. Nesta metodologia, os dados são comparados com as curvas de lactação do rebanho específicas da raça e da paridade.

 

 

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*Marcelo de Paula Xavier, produtor rural, formado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, com Mestrado em Agronegócios pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi presidente da Associação de Criadores de Gado Jersey do Brasil por 2 mandatos consecutivos.

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