O custo oculto da diarreia em bezerros
10 de junho, 2026
Uma bezerra desenvolve diarreia nas primeiras semanas de vida. A fazenda a trata, ela se recupera e, em poucos dias, a crise imediata passa. Com o passar dos meses, ela cresce até se tornar uma novilha de reposição e, eventualmente, entra no rebanho leiteiro. Quando pare pela primeira vez, poucas pessoas ainda estão pensando na doença que ela teve quando era bezerra.
Mas novas pesquisas sugerem que o corpo pode não ter esquecido. Um estudo publicado no Journal of Animal Science constatou que os efeitos da diarreia neonatal podem persistir por anos, reduzindo a produção de leite ao longo de várias lactações e desafiando a suposição de que bezerros que sobrevivem se recuperam totalmente.
A doença termina, mas os efeitos podem permanecer
A diarreia neonatal está entre os problemas de saúde mais comuns enfrentados por bezerros leiteiros. Produtores e veterinários entendem seus impactos imediatos, incluindo custos de tratamento, demanda de mão de obra, menor crescimento e perdas por mortalidade. O que era menos claro é o que acontece com os bezerros que sobrevivem e, mais tarde, entram no rebanho leiteiro.
Para responder a essa pergunta, os pesquisadores examinaram registros de 1.907 vacas Holandesas de uma fazenda leiteira comercial no norte da China. O conjunto de dados incluía 700 animais que tiveram diarreia neonatal e 1.207 animais saudáveis (grupo de controle). Os primeiros sinais de um impacto duradouro apareceram muito antes de as vacas entrarem na ordenha.
As bezerras que tiveram diarreia apresentaram menor peso ao desmame (97,5 versus 101 kg) e, anos depois, as diferenças ainda eram detectáveis. Na primeira lactação, vacas com histórico de diarreia neonatal apresentaram mediana de altura na cernelha de 134 centímetros, contra 135 centímetros das companheiras saudáveis do rebanho.
Embora as diferenças tenham sido modestas, elas sugerem que uma doença em um período crítico de desenvolvimento pode alterar o crescimento por muito tempo após a recuperação clínica. Algumas das diferenças físicas se tornaram menos evidentes com o avanço da idade dos animais. Nas lactações posteriores, os escores de condição corporal e as medidas de altura ficaram cada vez mais semelhantes entre os dois grupos. Se apenas as medidas de crescimento estivessem disponíveis, seria fácil concluir que os animais haviam se igualado em grande parte.
A diferença na produção não desapareceu
Os registros de leite, porém, mostraram que os efeitos da diarreia neonatal iam muito além da fase de bezerros. Embora os pesquisadores esperassem algum impacto residual, a persistência das perdas de produção ao longo de várias lactações foi marcante.
Primeira lactação: o primeiro sinal de alerta
O primeiro indício apareceu durante a primeira lactação. Vacas que haviam apresentado diarreia neonatal produziram mediana de 10.831 kg de leite em 305 dias, contra 11.492 kg nas vacas saudáveis. O pico de produção também foi menor, chegando a 59 kg por dia, versus 60 kg por dia. No total, as vacas afetadas produziram cerca de 661 kg a menos de leite na primeira lactação.
Segunda lactação: a diferença persiste
Os pesquisadores poderiam esperar que a diferença de produção diminuísse à medida que os animais amadurecessem. Em vez disso, a diferença permaneceu. Na segunda lactação, vacas com histórico de diarreia neonatal produziram mediana de 10.669 kg de leite em 305 dias, contra 10.956 kg nas vacas saudáveis, uma diferença de aproximadamente 287 kg. O pico de produção também continuou menor, em 61 kg por dia, contra 63 kg por dia.
Os efeitos não se limitaram ao volume de leite. No período inicial pós-parto, vacas de segunda lactação que tiveram diarreia neonatal produziram 24 kg de leite corrigido por dia, contra 27 kg nos animais saudáveis. Os pesquisadores também relataram menores percentuais de gordura no leite e menores relações gordura:proteína, sugerindo que a doença influenciou tanto a qualidade do leite quanto a eficiência de produção, além do volume total.
Terceira lactação: o custo oculto fica claro
As diferenças mais marcantes surgiram na terceira lactação. Vacas que tiveram diarreia neonatal produziram mediana de 10.343 kg de leite em 305 dias, enquanto as vacas saudáveis produziram 11.430 kg. A diferença chegou a 1.087 kg de leite em uma única lactação. O pico de produção seguiu o mesmo padrão, atingindo 56 kg por dia nas vacas afetadas, contra 61 kg por dia nas companheiras saudáveis do rebanho.
Em vez de desaparecer com o tempo, as perdas pareciam se acumular, com o maior déficit aparecendo na terceira lactação.
Uma forma diferente de pensar o custo da diarreia
A maioria das discussões sobre diarreia em bezerros foca nos custos de tratamento, na demanda de mão de obra e na mortalidade. Este estudo sugere que essas perdas visíveis podem representar apenas parte do impacto econômico.
Para veterinários, os achados reforçam o valor de medidas preventivas como manejo do colostro, saneamento, controle de patógenos e intervenção rápida. Embora esses programas muitas vezes sejam justificados pela capacidade de reduzir doença e morte, eles também podem ajudar a proteger a produção futura de leite.
A mensagem central do estudo é simples: o custo da diarreia em bezerros nem sempre é pago na fase de bezerro. Neste estudo, seus efeitos ainda eram mensuráveis anos depois, reduzindo a produção de leite em vacas que deveriam estar entre os animais mais produtivos do rebanho.
Fonte: Dairy Herd Management







































