Oferta de leite bate recorde no Brasil, mas importações voltam a crescer em junho
22 de julho, 2026
O cenário macroeconômico mundial segue desafiador, influenciado pelas incertezas associadas à guerra na Ucrânia e às tensões envolvendo Estados Unidos e Irã. Este último conflito tem ampliado a instabilidade internacional, em meio a avanços e retrocessos nas negociações diplomáticas. Ainda assim, a perspectiva para a economia mundial permanece positiva. O Fundo Monetário Internacional projeta crescimento de 1,7% para as economias avançadas e de 3,8% para as economias emergentes em 2026. Entre os destaques estão a África Subsaariana, com expansão prevista de 4,3%, além da China, com 4,6%, e da Índia, com 6,4%.
O Brasil continua a apresentar crescimento econômico inferior ao de outros países emergentes como Índia e China e mesmo Nigéria. A projeção do FMI é de alta de 2,4% do PIB brasileiro em 2026, acima da expectativa dos agentes econômicos locais: o Boletim Focus indica crescimento mais modesto, de 2,0% no ano. O desempenho brasileiro segue condicionado, entre outros fatores, por alta carga tributária, expansão dos gastos públicos e insegurança jurídica. Apesar disso, os principais indicadores macroeconômicos permanecem relativamente favoráveis, com destaque para a inflação oficial de junho de 2026, de apenas 0,2%, abaixo das expectativas de mercado.
A produção leiteira mundial mantém trajetória de expansão, impulsionada pelas principais regiões produtoras, com destaque para a União Europeia, os Estados Unidos e a Nova Zelândia. No Mercosul, Argentina e Uruguai também vêm registrando aumento da produção. Esse movimento, observado desde o segundo semestre de 2024, sinaliza uma oferta mais robusta de leite e derivados no mercado internacional. A demanda externa, por sua vez, tem conseguido absorver parte relevante desse crescimento. Os leilões mais recentes do GDT indicam relativa estabilidade dos preços, embora os três últimos eventos tenham registrado queda, sendo a mais recente, de 4,9%, a maior do ano. Em 2026, os preços subiram em seis leilões, recuaram em cinco e permaneceram praticamente estáveis em um evento, com variação de +0,1%.
A produção brasileira também segue em expansão, após um longo período de estagnação iniciado em meados da década passada. Dados do IBGE mostram que a captação média dos estabelecimentos aumentou 8% nos doze meses encerrados em março de 2026, atingindo a marca histórica de 76 milhões de litros de leite/dia. De acordo com o MDIC, as importações, embora ainda em patamar elevado, arrefeceram no mesmo período, alcançando média diária de 6 milhões de litros equivalentes/dia. Entretanto, nos últimos meses houve recrudescimento da atividade importadora: em junho, o volume atingiu 211 milhões de litros equivalentes, alta de 35,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
A relativa estabilidade dos custos de produção, combinada à recuperação recente dos preços, deve estar favorecendo o aumento da oferta. Os termos de troca permanecem positivos, e a demanda tem sustentado os preços, apesar dos riscos macroeconômicos. O preço ao produtor atingiu, na média Cepea para o Brasil, R$ 2,64/litro em maio de 2026, valor pago em junho. Os dados dos Conseleites indicam que esses preços devem continuar em ascensão no curto prazo.
Em síntese, o mercado lácteo segue sustentado por uma combinação de oferta crescente, demanda ainda resiliente e preços ao produtor em recuperação. No curto prazo, a continuidade desse movimento dependerá do comportamento das importações, da evolução dos custos de produção e da capacidade da demanda doméstica de absorver a maior disponibilidade de leite e derivados.

Fonte: Centro de Inteligência do Leite (CILeite/Embrapa)








































