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Produzir leite no Sul virou teste de resistência

02 de fevereiro, 2026

Produzir leite no Sul virou teste de resistência

Queda nos preços, alta dos custos e juros elevados colocam produtores de leite do Sul sob forte pressão financeira

 

Quem vive a pecuária leiteira em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul sabe que a conta deixou de fechar faz tempo. O produtor acorda cedo, trabalha todos os dias, mantém a qualidade da produção, mas no fim do mês, o resultado financeiro não acompanha o esforço. Nos últimos anos, o setor enfrentou uma forte desvalorização. Em 2023, o preço pago ao produtor saiu de patamares próximos a R$ 2,80 por litro e chegou a operar próximo e até abaixo de R$ 2,00, dependendo da região e do período. Mesmo com recuperações pontuais em 2024, a instabilidade continuou, e em 2025 o produtor voltou a sentir a pressão de preços extremamente elevados. O problema é que o custo produtivo não caiu junto.

Enquanto o leite perdeu valor:

  • Milho e soja oscilaram em patamares elevados;
  • Energia, mão de obra e sanidade ficaram mais caras;
  • Manutenção de máquinas e estrutura continuou subindo.

A atividade leiteira é uma das mais intensivas em insumos do agro. Quando o preço do leite cai, o impacto é imediato no caixa da fazenda. Em muitas propriedades, o leite vendido hoje mal cobre o custo operacional, sem falar nos compromissos financeiros assumidos nos últimos anos.Investir para produzir mais virou pressão financeira.

Muitos produtores fizeram o que sempre foi recomendado: investiram. Melhoraram a genética, ampliaram instalações, aumentaram a produção. Esses investimentos vieram, em grande parte, de financiamentos bancários.

O problema não foi investir — foi a mudança do cenário:

  • O preço do leite caiu;
  • Os juros subiram;
  • A margem de lucro desapareceu.

Hoje, é comum encontrar produtores que trabalham basicamente para manter a fazenda em pé e pagar os bancos, sem conseguir formar reserva ou respirar financeiramente. Quando o mercado pressiona, o produtor não pode carregar isso sozinho

A queda do valor do leite não é escolha do produtor. É mercado. Quando o mercado aperta, insistir em carregar uma estrutura financeira que não cabe mais na realidade da atividade pode levar à descapitalização, endividamento crescente e perda de patrimônio. Por isso, o primeiro passo não é desistir da atividade, é parar, analisar e reorganizar.

Na Suprema Agro, lidamos diariamente com produtores de leite do Sul que não estão “quebrados”, mas financeiramente estrangulados por um cenário que saiu do controle. Em muitos casos, o problema não está na produção e sim na forma como a dívida foi estruturada diante da nova realidade do mercado. O leite continua sendo vocação. A gestão precisa acompanhar o mercado.

A pecuária leiteira sempre foi pilar econômico e social do Sul do Brasil. Mas, atravessar esse momento exige decisão, informação e estratégia. Ignorar o problema esperando “o preço melhorar” pode custar caro. Buscar orientação técnica e jurídica pode ser a diferença entre sobreviver à crise ou perder tudo o que foi construído.

 

 

Por Kleber Rouglas de Mello – Advogado especialista em Agronegócio | Suprema Agro

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