Recessão global da produção de leite continua

Recessão global da produção de leite continua

07 de setembro, 2022

Se é possível termos uma recessão global na produção de leite – ou seja, reduções trimestrais consecutivas em relação ao ano anterior – então estamos em uma desde o primeiro trimestre de 2022. O crescimento da produção de leite nas 7 grandes regiões de exportação de laticínios (Argentina, Brasil, Uruguai, Austrália, Nova Zelândia, União Europeia 27 e Estados Unidos) se contraiu – em comparação com o ano anterior – no 3º e 4º trimestres de 2021.

Essas regiões continuaram a registrar declínios, na comparação anual, até os dois primeiros trimestres de 2022 e é provável que elas tenham uma quinta queda trimestral no terceiro trimestre de 2022, antes de voltarem a crescer no quarto trimestre deste ano. Mas, mesmo esse ganho é insuficiente, compensando pouco mais da metade da redução do quarto trimestre de 2021.

Essa atual "recessão" da produção de leite remonta a 2016. A produção de leite na União Europeia – que produz cerca de 55% mais leite do que os EUA e responde por quase 30% do seu comércio global – teve crescimento consideravelmente menor durante o segundo semestre daquele ano. Esse declínio foi impulsionado por uma política europeia efetiva, que forneceu pagamentos monetários para os produtores de leite reduzirem sua produção.

Em contrapartida, é importante notar que a mais recente recessão global da produção de leite foi desencadeada pela redução da rentabilidade e por fatores relacionados ao clima. Olhando para a frente, espera-se que novas regulamentações/políticas governamentais na UE reduzam o crescimento da produção de leite, mas a implementação dessas políticas não é esperada antes de 2025.

Desde a segunda metade de 2021, os produtores de leite da Europa, Oceania, Estados Unidos e América do Sul têm lutado para aumentar a produção de leite, não por causa de mudanças políticas, mas sim devido às margens ruins e/ou condições climáticas. O Rabobank estima que o crescimento da produção de leite nas 7 grandes regiões (Big-7) diminua em 1,7% no 1º semestre de 2022. O crescimento positivo ano a ano – em comparação com um baixo comparável – está previsto no 2º semestre de 2022, mas ainda resultando em uma perda estimada de -0,7% para 2022. As previsões preliminares para 2023 sugerem um ganho abaixo da tendência de 0,6%.

Os altos – e até recordes – preços do leite aos pecuaristas na maioria das regiões não garantiram o crescimento da produção. Em todo o mundo, os produtores de leite estão enfrentando custos significativamente elevados de milho, soja e alfafa, bem como problemas climáticos em certas áreas, notadamente Oceania e América do Sul. As pressões globais de inflação nos combustíveis, na energia e nos salários também estão afetando a rentabilidade em todo a Big-7. Apesar do aumento dos preços do leite, o crescimento da produção e o cenário de custos de alimentação continuam sendo desafiadores.

Problemas estruturais podem limitar a recuperação do crescimento da produção leiteira. A atual desaceleração na produção global de leite está diretamente relacionada aos custos mais elevados de produção e eventos climáticos. No passado, a produção se recuperou e superou os picos anteriores. No entanto, desta vez, as questões estruturais limitarão uma recuperação significativa da produção de alguns exportadores-chave.

Os rebanhos leiteiros na Nova Zelândia e na Europa têm espaço limitado para crescimento e são mais propensos a contrair-se sob regulamentos e pressões ambientais. Na América do Sul, a concorrência dos grãos e oleaginosas por terra e capital continua a se intensificar, limitando a expansão de produções leiteiras.

Isso tudo pode deixa os Estados Unidos em uma posição vantajosa, preparado para o crescimento do mercado com capacidade de processamento adicional entrando em operação até 2025. Até lá, recessões globais na produção de leite podem ser mais comuns.

 

Fonte: Dairy Herd Management

Traduzido e adaptado pela Equipe do Canal do Leite

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