CEPEA: Venda de sêmen para pecuária leiteira reage em 2023

CEPEA: Venda de sêmen para pecuária leiteira reage em 2023

23 de fevereiro, 2024

O mercado brasileiro de reprodução animal contabilizou a venda de 22,5 milhões de doses de sêmen (corte e leite) para o mercado nacional ao longo de 2023, queda de 2,8% frente ao ano anterior. Esses dados são resultados de pesquisas realizadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) em parceria com a Associação Brasileira de Inseminação Artificial Asbia (ASBIA) e fazem parte do relatório setorial Index Asbia, divulgado nesta semana. A associação representa, segundo estimativas internas, cerca de 98% do share nacional de vendas de sêmen bovino.

O arrefecimento das vendas totais de sêmen no ano passado se deve à diminuição na comercialização de doses destinadas à pecuária de corte, que foi de 5,4% entre 2022 e 2023. Ressalta-se, contudo, que essa retração na venda ocorreu em ritmo menor que a observada em 2022, que foi de 9,33% frente ao pico de negociação observado em 2021. Vale lembrar que, nos dois últimos anos, criadores nacionais têm enfrentado quedas constantes nos preços de comercialização de animais desmamados, o que por sua vez resultou em maior ritmo de descarte de matrizes e em descapitalização de parte do setor.

Por outro lado, houve recuperação nas vendas de sêmen para o segmento de leite: de 6,44% de 2022 para 2023. Isto se deve ao ritmo de recomposição do plantel de vacas leiteiras, após o descarte exacerbado, em resposta aos consecutivos meses de retração nos preços do leite e à alta nos custos (durante os períodos finais da pandemia). Em um momento em que se observa o desânimo de pecuaristas sobre a atividade leiteira, um aumento no consumo de materiais para o melhoramento genético do rebanho aponta uma tendência de tecnificação do setor e possível saída da atividade de produtores com menor nível de tecnologia.

Estimativas realizadas pelo CEPEA/ASBIA apontam que tomando-se como base dados do efetivo de fêmeas em idade reprodutiva no rebanho nacional observa-se que o percentual de fêmeas bovinas inseminadas no Brasil mantém-se em patamares acima de 20%, sendo o percentual por segmento de produção de 23,1 para as fêmeas de corte e de 12,3 para as do setor leiteiro. É importante destacar que, em termos proporcionais, os investimentos em uso de tecnologias de melhoramento genético são elevados no caso do setor de pecuária de corte brasileiro, mas ainda tímidos no leiteiro, sobretudo quando comparado a importantes players globais.

Quanto às vendas externas, houve pequena retração de 0,9% nas exportações brasileiras de sêmenem em 2023, frente ao ano anterior. Os países do Mercosul continuam sendo os principais clientes da genética nacional, mas evoluções importantes foram realizadas em 2023, especialmente com a Índia, que, vale lembrar, é berço das raças zebuínas, animais que foram responsáveis pelo início da evolução da produção pecuária no país. Novos parceiros comerciais para o segmento de genética evidenciam que o Brasil tem deixado de ser um importador de genética para ser um fornecedor da tecnologia.

No geral, observa-se que o uso de tecnologias para o melhoramento genético do rebanho nacional, apesar de ter grande influência das oscilações de preços de mercado, sobretudo das cotações do boi gordo, do bezerro e do leite, ainda está em expansão no país. Quando aplicado de forma técnica e acompanhado de planejamento estratégico adequado, os resultados são positivos tanto nos índices produtivos quanto no financeiro.

 

 

Fonte: CEPEA – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada

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