Leite feito em laboratório, peido de vaca e muita desinformação

Leite feito em laboratório, peido de vaca e muita desinformação

26 de novembro, 2022

Escrito por Marcelo de Paula Xavier, M.Sc.*

 

O Canal do Leite traz, hoje, uma notícia sobre a empresa Uniliver, dona de marcas conhecidas como Hellmann´s, Knorr, Arisco, Kibon, Maizena, Ben & Jerrys, entre outras. A gigante global de alimentos pretende lançar um sorvete à base de leite feito em laboratório.

A alegação para fazer tal produto seria, em resumo, que as vacas emitem metano quando peidam e a empresa pretende ajudar a salvar o mundo, com “a redução de emissões de gases de efeito estufa, em face dos desafios climáticos”.

Na verdade, esse tipo de pensamento é – de certa forma – dominante na grande mídia mundial. Celebridades, bilionários e “especialistas”, em consonância com a agenda globalista da ONU, querem nos fazer crer que as vacas são as grandes vilãs dos tempos atuais.

À medida que as notícias sobre a chamada “mudança climática” (anteriormente era "aquecimento global") são cada vez mais alarmantes, carne e leite vão se tornando alvos frequentes de críticas. Há um certo clamor para que esses produtos sejam menos consumidos, de forma a se “proteger o meio ambiente”.

Uma parte da má reputação das vacas no chamado “aquecimento global” advém de uma publicação feita pelo Worldwatch Institute of Washington, em 2009. Eles afirmavam que 51% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) vinham da criação de gado.

Desta forma, as “mudanças climáticas” seriam causadas pelas vacas, pois a atmosfera estaria tomada pelo peido dos animais. Porém, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), as maiores fontes de emissões de gases de efeito estufa naquele país, em 2020, foram:

  • Transporte (27%)
  • Produção de eletricidade (25%);
  • Indústria (24%);
  • Comércio e residências (13%).

A agropecuária, naquele ano, foi responsável por um total de 11% das emissões americanas. E a pecuária – especificamente – contribui com menos da metade desse montante. No Brasil, esses números são um tanto diferentes, mas apenas um pouco maiores no que tange ao suposto impacto dos bovinos para o meio ambiente.

Gado: bandido ou mocinho?

Ciro Antonio Rosolem, professor doutor da Unesp, afirma que o carbono contido nos alimentos do gado bovino (forragem ou grãos) é consumido pelos animais e transformado – principalmente – em carne, leite e dejetos, mais uma parte que vai para a atmosfera. Então, “para a vaca crescer, produzir leite...é necessário que se alimente de carbono, ou seja, de capim”.

Segundo ele, o carbono (ou metano) emitido pelos animais é apenas uma devolução do que já estava na atmosfera. A vaca não fabrica carbono, apenas muda sua forma, não sendo responsável por fazer “aparecer” carbono no sistema.

Aliás, a conversão de cerrado para pastagem, gera acumulo de carbono. A simples recuperação de uma área de 24 milhões de hectares de pastagem degradadas – que se estima existir no cerrado – com melhoria do manejo, resultaria em sequestro de 36 milhões de ton de carbono por ano. Este número, segundo Rosolem, supera em mais de 3 vezes os 11,4 milhões supostamente emitidos por ano pelo rebanho bovino brasileiro.

Em regiões originalmente sob Mata Atlântica, a pastagem bem manejada fixa uma média de 2,7 ton/ha/ano de carbono, enquanto que na região Amazônica a média é de 300 kg/ha/ano. E são pastagens sob pastejo; ou seja, com gado comendo.

O simples fato de se adubar a pastagem – melhorando o seu nível de proteína – pode diminuir em 15% a quantidade de metano emitido por kg de matéria seca ingerida. Cabe destacar que capim degradado é menos eficiente, porque tem menor teor de proteína e cresce pouco, fixando pouco carbono da atmosfera. Mas, mesmo em pasto ruim, o gado só pode emitir o que comeu. Em outras palavras, pode não haver ganho de carbono no solo, mas não há emissão líquida, porque mágica não existe, destaca Rosolem.

O professor comenta ainda que, em sistemas mais intensivos, a emissão de carbono é maior, mas a produção é muito maior. Assim, o manejo intensivo aumenta a produtividade de um sistema, de forma a reduzir a emissão de metano por unidade produzida (carne ou leite) e reduzir os possíveis impactos da pecuária sobre o clima.

O aquecimento global e as vacas de leite

Existem duas correntes de pensamento que destoam do pensamento mainstream, no que se refere ao gado bovino e às mudanças climáticas que acontecem no mundo.

O professor Ciro Rosolem, como visto anteriormente, mostra que os animais não emitem carbono extra, mas apenas devolvem para a atmosfera o que consumiram (via alimentação). Mais ainda, ele afirma que a recuperação das pastagens degradas, no Brasil, seria um fator de sequestro de carbono; ou seja, seria benéfico ao meio ambiente.

Não obstante, o climatologista Ricardo Felício afirma categoricamente que o dito "aquecimento global" é uma farsa. Para o especialista, a tese tem mais a ver com política do que com meio ambiente.

Segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP), o aquecimento global é um fenômeno natural, que vem sendo usado por políticos e personalidades para justificar suas ações. Para ele, o planeta não está ficando mais quente por causa da ação humana, apenas os cientistas descobriram como monitorar melhor esse índice.

Felício também ressalta que a repercussão do tema é usada para tirar a atenção de outros problemas. “O aquecimento global serve para você mascarar os verdadeiros problemas da sociedade”, declarou, citando problemas de saneamento básico em grandes cidades como exemplo.

Enfim, fica evidente que a famosa frase dita por Joseph Goebbels, ministro da propaganda na Alemanha Nazista, parece estar mais viva do que nunca no mundo de hoje: "Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade".

O alarmismo e o medo, infundidos na sociedade, acabam por permitir que uma elite mundial possa exercer controle sobre os indivíduos e aumentar seu poder de influenciar pessoas, empresas e – até – nações.

Leite e carne são alimentos espetaculares, pois além de muito nutritivos e importantes para o desenvolvimento humano, são muito saborosos. E vamos aproveitar o final de semana para fazer um belo churrasco com a família e comer muito queijo e derivados lácteos!

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*Marcelo de Paula Xavier, formado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, com Mestrado em Agronegócios pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi presidente da Associação de Criadores de Gado Jersey do Brasil por 2 mandatos consecutivos e atualmente editor do Canal do Leite.

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